quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Relação de educaçao e teologia


Parece estranho teologia e educação unirem-se para sustentar o pressuposto que ambas foram especulações da filosofia acerca da teoria do conhecimento. Não fosse a distancia temporal produzir em nós as reminiscências, as vãs imagens de pseudo lembranças, resta-nos agora viver a partir dos registros daqueles que ousaram interrogar o porquê das coisas.

Questionar é aptdão para os que sabem meditar, contemplar e refletir. Essa faculdade pertence aos audaciosos da história, aos pensadores da finitude existencial e aos mestres. Refletir sobre a quatro dimensões da açao narrativa (ter-que/querer-fazer, poder-fazer, dever-fazer e saber-fazer) é tarefa somente dos que lidam com a arte de construir vidas, aquela feitura de conduzir o ser humano para a vida em sociedade. Questionar é, ainda, a arte de tecer comentários, cujas críticas (do grego, krivo) estabecerá os critérios para o julgamento correto. Criticar é poder responder os porquês e também colocar-nos no reto caminho. Perecemos porque não questionamos.

"Por que nasci?", "Quem é Deus?", "Para onde irei, se o fim é uma ilusão?"... Essas e muitas outras interrogações levam-nos a entender sobre o processo de ensino e de aprendizagem nos papéis de educador e teólogo. Para mim, teologar é a capacidade de transmitir especificamente as vontades divinas para cada criatura de Deus. Para que isso aconteça, o teólogo dever ser capaz de:

a) fazer a criatura interagir com o Criador e as demais coisas criadas;
b) conscientizar integralmente a criatura sobre o processo de redenção;
c) relacionar a reflexão bíblica e teológica com a eclesiologia missionária;
d) questionar as ações cristã-evangélicas individuais e institucionais, à luz de uma abordagem crítico-social com vistas à redenção de ambas;

Então, surge o papel do educador, aquele que irá conduzir a criatura ao conhecimento de Deus. Conduzir já indica-nos processo - algo que relfetirá sobre desenvolvimento, estágios, etapas, unidades epocais (ou temporais), abordagens, teorias, práticas, enfim percursos de acumulados de produção cognitiva, registro de práticas-experiências e fortuitos desafios de investigação.

Educar é levar o indivíduo ao pleno uso de suas habilidades para a cidadania, inserindo-o culturalmente ao contexto da globalização. É religar a criatura com o Criador e estabelecer definitivamente a consciência de cidadania celestial. Educar é promover o reino, cujos súditos guardam no coração os descretos divinos e os reproduzem a outréns. A arte de educar é para os que sabem sensivelmente produzir identidade no próximo, facilitando-lhe os níveis de conquistas e levando-o à liberdade. 

Saber teologia não significa teologar. Saber educação não significa educar. Ambas são dons divinamente concedidos, cuja unicidade é prova de que o teólogo ensina e o educador faz teologia. Aprendi mais teologia com o educador Ruben Alves do que quando o denominávamos teólogo. E também com o jornalista contemporâneo, Gilberto Dimenstein. E também com o crítico da modernidade e filósofo, Walter Benjamin. Além de Carlos Cipriani e Saviani. E aprendi muito mais educação com Júlio Zabatiero, Danilo Streck, Gabriele Greggersen e outros. Todos teólogos, mas também educadores. E há ainda os visionários, tais como: Carlos Eduardo Pereira, Jonas Dias Martins, Zaqueu de Melo e Antonio Carlos Barro. Teólogos e educadores amam o mesmo ministério.

Portanto, pensar em fazer teologia é pensar em processo educacional. É querer conhecer as abordagens, os métodos, os objetivos, os recursos e os conteúdos. É também cogitar sobre o tempo cairótico desse processo, é estabelecer os avanços no tempo cronológico para a plenitude do reino. Teólogos e educadores trabalham com o mesmo objetivo: educar para a cidadania (politeuesthe).