domingo, 8 de dezembro de 2013

Deixar a existência e virar essência


Um dia atendi o telefone e tive tremenda surpresa
Um "oi" amigo cativou-me, fazendo voar em manto turquesa
Convidou-me a ser amigo a distância como relação de pobreza
Fui sendo seduzido pelas conversas diárias, "eu seria a presa"

Então fui festejar com os amigos: petiscos, gente e bebida
Veio a mensagem, pedindo-me presença naquela subida
Saí por uns momentos e fui falar contigo, dando-lhe guarida
Na conversa, combinamos sair noutro dia, data comprometida

Foi no centro de compras, o melhor da cidade
Ainda tivemos contratempos, perdidos na urbanidade
Lojas, corredores e multidão: complexos da localidade
Finalmente, encontramo-nos na Livraria da Felicidade

Capucino é meu "drink" predileto: o seu foi só um suco
Em cada gole, o desejo de conhecer-te mais a fundo
Por isso, tempo é para diálogo para dar-se a conhecer ao mundo
E contratempo são os rudimentos que nos tornam em muco

Então descemos e fomos ao reduto das contemporaneidades
Lá houve o que mais temíamos: a relação de cumplicidade
Entrega foi de livre aderência e total assertividade
Resolvemos revelar as tênues e diversas complexidades

Três dias depois, novo telefonema: o vermelho de Moscou soou
Não é comunismo, nem tampouco Marvel Comics. Trim-trim ecoou
Ao atender, fui encostado à parede: "Fica comigo"! Mente voou
Então, disse sim para aprender a amar. Nova etapa de vida começou

A cada dia, relação intensa das conversas intermitentes
Devaneios e conquistas das emoções que só têm nas mentes
Quem já foi feliz na alma, deseja agora os clímax frequentes
Finais de semanas sempre a promessa de celebrações constantes

Durou por seis, menos dois, sobram quatro de estações
Não sou de primavera, nem de verão, mas de emoções
E o inverno e o outono se transformaram em dor nos corações
Quem desiste da graça de amar, vive no inferno das solidões

Foi assim, tem sido assim e só vai mudar quando um de nós inexistir!