quarta-feira, 31 de julho de 2013

Olhos preguiçosos


Sofro de insônia
por causa das batidas do meu coração,
cuja cadência é o rítmo da minha alma 
e o sono é o despertar constante.


Sofro de insônia
porque há sempre motivos para acordar,
achando que você está ao meu lado
aquecendo-me com teu corpo.


Sofro de insônia
todos os dias da minha vida,
em cada cochilo no trânsito
denunciando pessoas que não conheço.


Sofro de insônia
devido ao medo da solidão,
que entristece-me o espírito
e a perda da oportunidade de sonhar.


Sofro de insônia
porque a tristeza consome meu ser,
de não poder dormir o sono da morte
e reconhecer a realidade da vida.


Sofro de insônia
lendo os dramas do cotidano,
cuja escrita é cravada no coração
batendo na cunha para apagar a obra.

Sofro de insônia
pela ausência dos amigos e amigas, 
que amei sem trocar fluidos 
de conversas quentes e espirituosas. 

Sofro de insônia 
das consultas médicas, 
vulgarindo-me com uma simples virose
e diminuindo-me com diagnóstico de depressão

Sofro de insônia 
por causa dos fusos horários,
em acessos continentais das diversidades humanas
quando vivi as consequências da biculturalidade

Sofro de insônia
quando tenho que trocar os lençóis em noite fria, 
sujos pelo tempo e não pelos corpos
e faz-me chorar por destruir tua presença.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Aprisionado pela ignorância

 

Vivo aprisionado em masmorras de pedras e grades 
Não se parece em nada com as clausuras dos frades
Não recebo visita de ninguém. Só de camundongos
As paredes são muito espessas e os silêncios longos

Antes de ser preso e condenado, eu era livre. Ah, meu passado!
Mas quando descobri como era cego e enganado. Não fui amado!
Tentei ensinar-te a responsabilidade da relação. Fui trapaceado!
Então, tive que tomar essa atitude: revelar tudo para ser libertado!

No entanto, mais uma vez você se serviu de minha fraqueza
Intimidou-me com palavras, como sempre, usou da ardil sutileza
Disse que ia me ajudar do teu jeito. Mas qual, ó lerdeza!
Vive da maquiagem para se esconder com cruel dureza 

Sei que há um lugar no teu coração para mim. Afinal, você me conheceu
De minha parte, esse lugar sempre existiu. Pena que você o esqueceu
Tornei-me a representação dos teus anseios. Por isso você me apeteceu
Lembra quando tudo aconteceu? Foi lá, no quarto que você ao amor cedeu

Se você fosse inteligente, iria aceitar minha proposta 
Em pouco tempo, saberíamos a resposta
Para continuarmos nos amando, às encostas 
Mas você é meio cabeça-dura, vira-me sempre as costas

domingo, 21 de julho de 2013

Proteja-se, Bergoglio!

 
Até agora não havia feito nenhum comentário sobre as práticas de vandalismo em várias cidades brasileiras. Especificamente sobre as de ontem, no Rio de Janeiro, acredito que minhas observações devem ser ignoradas, mesmo porque considero-me incapaz de fazê-las. Não sou especialista em segurança pública, portanto não entendo as “brechas” que podem originar a depredação e a violência contra prédios, sejam estes públicos ou privados.

No meu entendimento, julgo que esses atos de vandalismos representam a revolta inconsciente do tratamento recebido. Sim, revoltar-se é “levantar-se contra, indignar-se, opor-se, etc”. O fato é que essa manifestação é entendida como “equivocada”, haja vista analisarmos a consequência (resultado) e não a causa. Se os vândalos escondem a cara é porque sabem do tipo de tratamento que receberão. Se quebram, saqueiam e roubam lojas é porque sabem que tipo de crime estão cometendo, bem como aonde poderão morar se forem autuados pela polícia. Vandalismo é um tipo de banditismo (ou bandidismo) revanchista contra as instituições que lhe são repressoras.

Os atuais vândalos desceram os morros porque a polícia subiu até suas casas para “por ordem pacificadora” (sic). Ora, há que se entender como foi feita a ocupação dos morros. Entendo que era, sim, preciso fazer isso e o governo de paz, direito e justiça precisaria chegar até os habitantes dos morros. O problema é que atos “violentos” de entrada estão recebendo o “troco” dos que saíram. A polícia não conseguirá “segurar” esse tipo de vandalismo porque as armas que eles têm não são de educação, nem pacificação e nem de cidadania. São de agressão, contenção, repressão e coerção. Logo, são, sim, atos de violência.

Minha dúvida (ou preocupação, ou medo) é que esses grupos consigam se organizar como bandos e gangues, afinal o crime é institucionalizado quanto ao seu nível de organicidade, visto pelo planejamento, treinamento e execução. Não li nenhum comentário de especialista do serviço de inteligência dizendo que tais atos, como as manifestações que foram consideradas “vândalas”, no período da Copa das Confederações poderão se tornar mais dinâmicas, fortes e com projeções mundiais na visita do Santo Padre na próxima semana. Bergoglio, cognominado Francisco, imuniza-se pela exposição de vida porque quer estar perto do povo, mas esquece de que, antes de chegar até o povo, há barreiras de policiais lutando contra os vândalos.

Oxalá eu esteja errado. Digo isto porque entendo que o vandalismo está ligado ao ato de destruir o que é artístico, cultural, religioso, típico, etc... O povo brasileiro está no limiar de distinguir-se quanto ao que acordou para a construção e ao que acordou para a destruição. As igrejas ainda não entenderam o papel delas nesse momento. Sou católico-protestante (evangélico), mas sinto-me agredido quando a liberdade religiosa também é vandalizada. Proteja-se, hermano!

sexta-feira, 19 de julho de 2013

A Saúde será responsável por suscitar o etnocentrismo e a xenofobia




Fiz uma temporada na capital paulistana que durou seis meses no ano passado. Lá, ministrava aulas em uma faculdade de teologia. Lembro-me das constantes quedas de temperaturas bruscas nos períodos vespertinos - costumeiras do ar paulistano. Era comum os alunos ficarem adoecidos pelos resfriados, gripes, alergias e certas indisposições estomacais.

Acompanhei três vezes alunos até às Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) em três ocasiões diferentes. O primeiro estava febril, com vômitos e náuseas. O segundo havia se machucado no futebol e ficou com o braço inchado. E o terceiro, havia trabalhado no sol e teve queda brusca de pressão e com fraqueza.

O fato de eu estar narrando estes episódios deve-se à coincidência de que todos os três alunos foram atendidos pelo mesmo médico. E em todos eles, o diagnóstico foi de dois a três minutos de consulta. Nenhuma receita foi prescrita, mas todos saíram de lá com Benzetacil injetável nas nádegas.

Adentrei à sala do médico e apresentei-me como professor universitário que estava acompanhando os alunos. O médico era um boliviano, naturalizado brasileiro. Fez medicina na Bolívia, fez regência no Brasil e “validou o diploma no Brasil”, conforme prevê a lei. Como educador, reconheço que ele sofria do “erro de familiaridade”, ou seja, em sua cognição para definir o diagnóstico, associava um único sintoma aos demais casos de saúde dos pacientes, logo todos deveriam receber a injeção indistintamente.   

Tal fato remeteu-me um ano anterior à minha chegada no Brasil, quando tive uma crise de rinite alérgica nos Estados Unidos. Rapidamente, fui à clínica da universidade. A médica era de origem indiana (muito comum lá). Conversou comigo sobre minha rotina, sobre doenças dos meus familiares e sobre medicamentos que tomava nessas ocasiões. Ela não auscultou meus pulmões, não aferiu minha pressão e temperatura e nem olhou ouvidos e garganta – procedimentos que já estava acostumado aqui no Brasil. Logo, entendi que nos EUA evita-se o contato físico do médico com o paciente.

Não sou contra a vinda de médicos estrangeiros para ajudar o Brasil. Sou contra a ignorância das autoridades governamentais em não entender o processo transcultural que ocorrerá nesse processo. Nossa presidenta está colocando em risco outros fatores que vão, inevitavelmente, atingir a cultura brasileira. Primeiro será o do etnocentrismo, isto é, as associações médicas e conselhos regionais hão de corporatizar-se contra os estrangeiros. Os médicos brasileiros já alcançaram níveis de especialização em várias áreas da saúde, tornando-se renomados mundialmente. Muitos até acabam indo embora por causa das condições de trabalho (aqui é que reside a diferença). O estrangeiro será ignorado pelos brasileiros quanto à capacidade de atendimento, conhecimento das doenças locais e, principalmente, o de “explicitar culturalmente a doença aos pacientes”.
O segundo será o da xenofobia, ou seja, medo total pela outra cultura, um tipo de rivalidade entre os povos. Imagine ir ao consultório médico e não ser examinado pelo especialista. Se ele for estrangeiro, automaticamente virá o “medo”, o “ódio”, a “rejeição”. Reconheço que não sou especialista para fazer essa afirmação, mas faço isso porque comparo-a com o sentido inverso da cultura brasileira. Explico: nós, brasileiros, sempre valorizamos o “produto” estrangeiro melhor do que o nosso (telefonia, correios, bancos, eletrônicos, políticos, etc), mas em questão de futebol e saúde nós não abrimos mão.

Se o governo brasileiro não for criativo e inteligente para amenizar essa tensão, penso que a Saúde, de cinco a dez anos, será a responsável por torná-la “inimiga”. Precisa-se trabalhar o imaginário da população de que a melhoria será representado pelo estrangeiro. Mas tudo indica que a presidenta tem outros “interesses”, pois nem sequer consultou as áreas de competência. Antes, precipitou-se e está mexendo em time que estava ganhando. Como disse, não sou especialista, mas vou adiantar: querem transformar o Curso de Medicina, nível de graduação universitário, para o nível do “medical school”  do modelo norte-americano – quem tem ouvidos, ouça o que isto quer dizer.

De esperta mente



Todas as tardes, antes do por-do-sol, vou te ver
Desço ao Centro do Registro do Saber 
E observo-te, à distância, sem aparecer
Contemplando tua estética, tua tez e teu ser 

Decido revelar-me a ti. Apenas aceno
Cumprimento-te com os olhos. Meu bom senso
Folheio, rabisco e escrevo. Só não penso
Tua presença equivoca-me. Saio tenso 

Por que você não fala comigo?
Será este o meu castigo?
Ou será aqui, teu trabalho, um abrigo?
Fica, então, assim: um dia estarei contigo!

Mandíbulas metálicas que cortam ao meio
Lombo saltado prejudica-te o esquerdo seio
Olho vidrado com pálpebra caída - não é feio
Pernas finas e redondas formam teu custeio

Nesta semana, ajustei-me para crescer espiritualmente
Ia ver-te para meditar e contemplar religiosamente
Meu imaginário sobre ti é guardado secretamente
E nas minhas representações, sacio-me compulsivamente

Não tenho receio dos delírios
Observar-te é efeito de colírios
Você é o jardim cheio de lírios
Prende minha alma com os teus cílios

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Procura insana


Cheguei cedo, não te achei.
Telefonei, não me atendeu.
Mandei mensagem, não me respondeu.
Fui ao cemitério, te encontrei

Fui ao túmulo, decepcionei-me
Flores murchas, emudeceu-me
Poeira bem suja, asfixiou-me
Deitei ao lado, expirei-me

Em ascensão, fui às nuvens
Em opacidade, houve fuligens
Em trânsito, vi os pajens
Em desespero, peguei-me aos tótens

Ao tribunal, apresentei-me
À acusação, defendi-me
À sentença, prostrei-me
À liberdade, regozijei-me

Voltei para novo mundo
Alegria e gozo profundo
Renovado em segundos
Ajudando os moribundos

Sono da morte superado
Corpo, sim, ressuscitado
Trabalho, agora, arranjado
Salário, doravante, recuperado

O amor nunca existiu
Quando você partiu
Tudo, então, sumiu
Ninguém me viu

Por isso irei para longe
A mente será de monge

A vida como a do lounge
E o corpo repousará no ground

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Pânico


Se eu não receber um telefonema até meio dia, vou explodir! Boom! Boom! Boom!
Então, terei que botar a boca no trombone. Soon! Soon! Soon!
Desligado ou fora de área, enganando com Tum! Tum! Tum!
A linha da vida é curta, mas o fio da conversa é comprido. Sim! Sim! Sim!

Carro nunca foi segurança ou comforto. É apenas um ópio
Vai onde quer e transporta quem quiser. É a falsa saída do opróbio
Cada acelerada é o encurtamento da respiração. Torna-se o teu sócio
E naquela curva da grande Avenida, o fantasma aparece bem sóbrio

Já tive três veículos. Zerados! Todos foram momentos da paixão
O primeiro foi fruto do trabalho, cada centavo envolvido na missão
O segundo foi fruto do investimento, cada parcela a distante solidão
O terceiro foi fruto do estupidez, cada protesto denunciava a corrupção

Todos foram quitados sagradamente. Nenhum foi, enfim, "desvirtuado"
Vendi-os e apliquei em educação. Sou o fruto do favelado aperfeiçoado
Ando a pé. Sou do transporte público, mas haverei ainda compartilhado
Da sabedoria e do discernimento de que é possível ver sonho realizado

A tristeza é porque a superação da indignidade é processual   
Nada "cai do céu" como esperança senão a busca educacional
Foi o que me aconteceu: consegui a verbe titular magisterial
Só que o grau maior, você me fez perder. Sua contribuição foi letal


No princípio, o Norte foi minha direção. Significou-me a salvação
Lá, entendi a minha latinidade e venci os medos do povo saxão
Hoje, estou no Norte sem orientação. Sinto-me em meio à perdição
Aqui, compreendo a pecaminosidade, desafiando-me à missão

Estou aqui porque não posso estar lá. Sozinho jamais voltarei
Essa tem sido minha indecisão e angústia: perda que não superei
Por isso, até a saúde ignorei. Vou arriscar fugir para terra sem rei
Se serei doutor, não sei. Tempo me indicará o lugar em que vencerei

Vou te dizer com todas as letras: "Vá lá no quintal e veja teu pleito"
Teus súditos se envergonharão de ti, ó carruagem alva sem aceno
Já gravei tudo em diálogo celestial: nosso reencontro não será terreno
Eu não tenho glória senão a de fazer-te entender em tino leito

Resta-me isso: aceitar o pânico que vem soando há tempos
Sair, revolucionar-se, gritar minha independência através dos ventos
Sei que isso assusta a qualquer um: então ouça meus contrasensos
Morrerei para viver - anastasis e egeiro serão as nuances de consensos

Então só siga o exemplo do Mestre e diga assim: "eu ficarei contigo até o fim"

Fim




Não posso dizer "apesar", pois não foi pouco tempo assim
Você bem sabe que "descobriu" e "cobriu" tudo de mim
Deixou de ser inocente para virar malícia todo fim de semana
Dormia comigo, amava-me, não ia embora, ficava na cama

Então depois de planejar o sonho, vem e me diz: "é o fim"
Contrariando a proposta de casamento - e eu, tonto, disse sim
Isso não é maturidade. É sacanagem. Egoísmo que de ti emana
Não acredito: "não quero isso para minha vida" - atitude insana

Ai que saudade! Não consigo mais me emocionar. Amor tupiniquim
Terei que ir para junto de Deus. Lá poderei chorar. Consolo enfim
Não sou mais jovem, cheio de alegria e esperança. Adulto sem ama   
Não renovarei a  felicidade. O caixão é a sepultura. Velho sem dama

Achei que o problema seria cerebral, denunciando o extermínio mental
Mas desceu e veio para o coração, anunciando o desígnio fatal
Um pouco de mim já está em ti. Isso será eterno. É só questão de tempo
Dia-a-dia virá à tua mente minha imagem. Graduações como mementos

Minha fantasia é o encanto de ser encantado sempre
Meus surtos são delírios, sim, de um amor que não mente
Pelo contrário, é real, visível e faz bem, é algo que se sente
Então, volte para teu abrigo e aguente tudo, infelizmente 

Cada dia, uma desgraça; cada ano, uma praga. A primeira é a família
Cada livro, um aprendizado; cada curso, um título. A segunda é a homilia
Cada escola, um terror; cada cidade, um pecado. A terceira é a profissão 
Cada hora, um alô; cada minuto, uma mensagem. A última é a revelação 

Vou declarar ao mundo: "eu te amo, e daí? Todo mundo vai ouvir"
Você era sol, mas preferiu ser estrela. Então vou emprestar meu brilho
Depois de tudo contado, você vai me agradecer. Nada há de sucumbir
Leão, tigre, urso, onça - os carnívoros. Mas para você, jogarei milho

domingo, 14 de julho de 2013

Revolucione-se: pense




Quero iniciar minha reflexão afirmando que Deus nos criou com intelecto, ou seja, a faculdade cognitiva de analisar, avaliar, classificar, comparar, definir, descrever, exemplificar, explicar, interpretar, sintetizar, criticar, argumentar, compreender, entender, raciocinar, enfim o que costumeiramente chamamos cogitar (o ato de pensar).  Parafraseando René Descartes, o "cogito, ergo sum" refere-se à observação do ato de pensar como "o início ao entendimento e ao sentido de nossa existência". Pecamos por não pensar, pecamos porque deixamos outros pensarem por nós. Ademais, pecamos porque somos incapazes de reconhecer que a solução de conflitos e até mesmo a manutenção da paz é decorrente do ato de pensar. 

Pensar é atentar para o que é essencial, pois é nessa atitude que reside o conhecimento transformador. Quando pensamos, conseguimos identificar as qualidades e as potências do saber. É quando o "desconhecido" se torna próximo a nós, isto é, passa a ser conhecido por nós e se torna ferramenta de reorganização do "ser no mundo". Se não pensarmos, deixamos de vencer os desafios, deixamos de superar as crises, deixamos de dominar os medos e deixamos de oferecer alternativas de sobrevivência. Pensar é ato de vitórias sobre os demônios da ignorância, da estupidez e do analfabetismo do cogito. Pensar é uma virtude cristã para adquirir e exercer a sabedoria, o discernimento e a convicção acerca das dúvidas e dos desatinos. 

A abordagem cognitiva, auspiciada por Jean Piaget, também conhecida como construtivismo, exalta o método "aprender a aprender" como resultado do ato de pensar. Para ele, o indivíduo cria um "schema" da informação e processa o seu relacionamento por meio da "acomodação" ou "assimilação". Cada indivíduo cria por si próprio uma estrutura do pensar, um esquema de como ele se integra à compreensão (assimilação e acomodação). Sendo assim, quando a pessoa é incapaz de lidar com a informação, ou melhor, ela diz não "compreender" é porque, na verdade, a nova informação não se encaixou em nenhum dos esquemas que ela já predeterminou em seu modelo mental de aprendizagem. Por isso, é "fácil" decorar a informação sem sequer questioná-la ou analisá-la. A pessoa decora porque sabe que, futuramente, não precisará daquele conteúdo. Ressalto, no entanto, que é o pensar que nos fará "senhores" do conhecimento - daí a necessidade de sermos "experts" quando falamos em "desenvolvimento humano". 

Logo, como líderes de nossas comunidades, e simpatizantes da abordagem cognitiva, devemos assumir um ministério do "aprender a pensar" para que nossos membros saibam discernir, amadurecer, crescer no conhecimento e na graça do Senhor. Líderes não ensinam os membros, haja vista os próprios membros aprendem como aprender. Os líderes são instrumentos que facilitam e colaboram no processo dos fiéis se encontrarem na aprendizagem dos desígnios de Deus. Nesse sentido, nenhum membro fica à mercê da "educastração" dos sermões de líderes, antes conseguem digerir e reproduzir em si os efeitos dessa diversidade de pensar. Afinal, a própria busca da santidade, após confissão e conversão a Cristo, é um processo educacional que acontece primeiro a partir da mente e irradia nas atitudes do comportamento. São decisões feitas para adentrar ao contato com o conhecimento das Escrituras, ao diálogo com o Espírito acerca dos conflitos e à convivência comunitária para sentir a solidariedade e fraternidade. 

Então vou perguntar: "o que faz um líder anunciar que a vida do cristão não pode ser de pobreza  e de doença?", ou ainda, "que a prova de fé é mediante a oferta de montantes financeiros?", e o que dizer de, "sua vida está sendo atacada por demônios e você precisa se livrar deles"?, e o mais intrigante é o convite: "venha receber a cura". Pois bem, quero dizer que a resposta a todas essas perguntas e convite não decorrem de uma ação evangelística do pensar, mas do tornar-se escravo da ignorância e da dependência viciante de discursos ludibriantes. Quem ensina o outro a pensar, ajuda-o a construir a verdade como princípio de transformação do seu ser. Quem promove o pensamento crítico, faz com que uma sociedade entenda os fundamentos da prática de justiça, liberdade, direito, cidadania, igualdade e desenvolvimento humano. Enfim, o pensar é, sim, uma atitude cristã a ser cultivada para que haja definitivamente o crescimento pessoal, a eficácia da fé, a vitória sobre os desafios e a pureza na vida. 

Na vida humana, o ato de pensar nos torna "senhores" do conhecimento. Não no sentido de dominá-lo, mas de saber usar suas estruturas de libertação, superação e eficácia. É a compreensão dos "porquês" que nos introduz ao atentar ao que é essencial. Logo, o que é essencial na vida cristã? Ou o que devemos realmente pensar como estrutura de conversão a Cristo? O intento aqui é dizer que o evento "Cristo em nós" nos levará a essa metodologia de pensar como construto da nova humanidade. Por exemplo, uma vez que somos "invadidos" mentalmente pelo dom de amar, não haverá, então, "limites" para fazer exclusões e nem separações. Seremos persuadidos pela construção da inclusividade (amor), da graciosidade (habilidades e competências), da fidelidade (justificação) e da santidade (purificação). 

Alguém já parou para, verdadeiramente, refletir sobre as manifestações populares? Pois bem, elas são fruto da aplicação dessa metodologia. Alguém gostaria de explicar porque as comunidades neopentecostais continuam crescendo assustadoramente por meio da mídia e teologia da prosperidade? Pois bem, elas são fruto da NÃO aplicação dessa metodologia. Como alguém consegue "enganar" pessoas a contribuírem para manter "programas no ar", sendo que os recursos são para compra de fazendas, sustento do nível de vida e aplicações em paraísos fiscais? É porque não pensam, são incapazes de fazer comparações de modelos anteriores ou ainda inferir sobre valores bíblicos com os praticados hoje. 

Para finalizar, quero que você, leitor, pense cognitivamente (desculpe-me a redundância) sobre as seguintes proposições: 

(1) as estratégias neocarismáticas são fruto da associação da teologia da prosperidade e da pregação sobre demônios e batalhas com o diabo, cuja finalidade é fazer com que a pessoa fique dependente de tais pregações e comecem a testar a fé por meio de donativos. 
(2) A associação que se faz da erradicação do pecado na sociedade por meio de pregações anti-inclusividade, anti-cidadã e anti-diversidade revelam mais um discurso de extermínio de estereótipos e biotipos do que amor e graça divina para todos.
(3) A enormidade quanto ao surgimento de novas comunidades, uma tentativa de configurar novas denominações, vem demonstrando a impossibilidade dos cristãos se reorganizarem debaixo do cabeça "Cristo", pois as motivações não são de humildade, submissão e amor, mas de conquista da arrogância, do poder da competição entre líderes.
(4) A humanidade contemporânea vive uma nova metodologia do pensar, instigada pela Pós-modernidade (movimento cultural) e pela Globalização (movimento econômico e político), enquanto a igreja evangélico-cristã continua nos modelos do fundamentalismo e conservadorismo, sem renovação e reformas, principalmente nas abordagens litúrgicas.
(5) Vida cristã é um processo, portanto ela é fruto do efeito da educação redentora na pessoa. Sendo assim, o maior investimento que as comunidades devem fazer na vida de pessoas é oferecer uma matriz curricular pautada na redenção como modelo de resgate, transformação e (re)criação. O modelo é o de conduzir (educare) a pessoa a Cristo e, com a metodologia do fazer pensar, moldá-la pelo conhecimento de Deus. Nesse sentido, a crítica será sobre os modelos de educação cristã oferecidos pelas igrejas.

Pensar é um ato de revolução. Primeiro de si e depois da sociedade.  

terça-feira, 9 de julho de 2013

Parafraseando o Mishpat e a Tsadiq




(1) Naqueles dias derramarei o meu Espírito sobre o gigante do Sul. Quando meu Espírito estiver sobre todos os habitantes, então farei o gigante acordar e se levantar. Ao se por em pé, todos os demais povos verão quão poderoso é o povo que tem o meu Espírito. 

(2) Meu povo é longânimo e benigno, mas os seus líderes são corruptos. Os que formulam as leis têm-se vestido de falsidade para praticar violência sobre os trabalhadores. Eles já foram condenados, mas continuam no poder. Eles convertem a verdade em mentira, a justiça em imunidade política, o bom senso em discursos demagogos. (3) A motivação deles é cheia de ganância, votam leis porque são gratificados pelos empresários e comerciantes. E justificam suas ações porque dizem ser representantes do meu povo. Eles cairão porque sou Eu, o Deus Altíssimo, que represento meu povo.

(4) Os juízes também são ardilosos em seus julgamentos. Eles até demonstram ações visíveis para o povo, no entanto têm criado uma proteção para todos os magistrados. O povo tem acreditado que eles são como deuses, que jamais poderão ser julgados. As reformas de suas casas têm sido pagas pelas taxas do povo. (5) Eles não são dignos dos títulos que têm. Deveriam exercer o direito e administrar a justiça para si mesmos, então seriam dignos do meu Espírito de sabedoria e juízo. Eles se apoiam no direito de seus concursos e funções, mas eu revelarei a prática de suas provas. Todos cairão, porque novos juízes escolherei para liderar meu povo. 

(6) Pela primeira vez, coloquei uma mulher para governar o meu povo. Fiz isso em honra aos que sofreram exclusão. Ela quis praticar o bem, mas associou-se à prática do mal. Para liderar, tem pago altos preços aos legisladores. Eu mesmo pedi que ela ensinasse o meu povo, protegesse os pobres e curasse os enfermos. (7) Mas ela não me obedeceu e começou a construir casas. Os teus súditos próximos, ó rainha do Sul, voam em pássaros alados prateados, mas o meu povo tem que pagar para ir de uma cidade a outra. Então mandarei um único pássaro meu, que destruirá a todos no ar. (8) Eles desaparecerão em bola de fogo no céu. Todos verão o sopro destruidor de minha ira. Naqueles dias, ó rainha do Sul, não conduzirás mais o meu povo. Mas serei fiel ao meu povo, e uma outra mulher escolherei para conduzir o meu povo. 

(9) Tenho um juízo sobre os guardiões e soldados que têm ferido o meu povo. Eles têm matado o povo porque nunca aprenderam a preservar a vida. Em cada sangue derramado e em cada fôlego de vida expirado, eu requererei a sentença de morte para os malfeitores. Farei vingança sobre os que ferem o meu povo. (10) Atingirei os chefes de segurança e eliminarei as caveiras de seus braços. Quem pegar arma contra o meu povo, eu exterminarei do meu reino. Naqueles dias, enviarei soldados celestiais cujas asas lançarão luzes que fulminarão a todos. Então as famílias do meu povo serão gratas a mim e eles não precisarão de mais guardiões. 

(11) Minha ira será derramada sobre todos os sacerdotes e todas as sacerdotisas, todos os profetas e todas as profetizas e todos os obreiros e todas as obreiras. Nenhum deles será poupado e nenhuma delas será libertada. (12) Eles deviam ensinar o povo sobre meus estatutos e minha vontade. Antes, aderiram a princípios alheios à minha mensagem: realizaram milagres que não ordenei, subiram aos montes para falar comigo onde jamais habitei, falavam de curas que jamais eu iria realizar e prometiam riquezas que nunca eu iria produzir. (13) Assim como fiz com Moisés, meu servo, aplicarei a mesma sentença para eles. Nenhum deles será recompensado e não receberá galardão.

(14) Eis porque não falei mais em sonhos aos meus profetas e também não dei visões às profetizas. Eu Cobri os olhos de todos, raspei-lhes a barba dos homens e cortei os cabelos das mulheres para que não representem. (15) Então fiz meu Espírito descer sobre todo o povo e fi-lo sair de suas casas e ir às grandes procissões para mostrar às demais nações a minha vontade. (16) Meu povo aprendeu o que é profetizar. Meu povo manifestou a minha justiça e os meus designios. Meu povo reconheceu o sacrifício do meu Filho. Meu povo entendeu a minha graça. Eis que estarei com o meu povo para sempre.

(17) Por isso, farei purificação ao meu povo. Trarei uma nação maior e mais poderosa do que a do meu povo para que entre na terra do meu povo e use força contra meu povo. Nenhuma nação irá tocar meu povo ao ponto de feri-lo ou exterminá-lo. (18) Somente deixarei que entrem, usem força e se tornem espias contra meu povo. Então meu povo entenderá definitivamente quem é o inimigo. (19) O sinal do meu reino na terra do meu povo será enfraquecido, porque falsos profetas e profetizas surgirão dizendo ter chegado o fim. Mas eu estarei com o meu povo e destruirei para todo o sempre a grande nação inimiga. 

(20) Esta é a minha palavra, este é o meu oráculo.

Supremacia




Amanhã não poderei dizer que te amo mais
É que você demorou. Aí, fiz questão dos jornais
Anunciei nos Classificados. É só ler minhas iniciais
Incógnitas, não. Diretas, sim. Meio-tons banais

Ontem você me rejeitou legal
Dizia que ia à oração matinal
Que nada! Fez-me vegetal
Espera crescer e depois dá tchau

Combinamos? Não. Foi só coincidência
Vou para o Fim. Lá é país da transcendência
Ninguém verá a mim. Só os vermes da inocência
Quando retornar, viverei na tua consciência

Teus descendentes serão todos meus
Serão baixos, pecadores pigmeus
Pardos mesclados com sangue dos europeus
Sul americanos, terra de escravos teus

Aqui, seremos gigantes
Como demais nações, iremos galopantes
Teremos que despir nossos rompantes
E dar oportunidade um ao outro como amantes

Repovoaremos a nação
Com intensa paixão
Batendo o coração
Soberana reinauguração

O fim será assim
Junto a mim
Enfim
Sim