segunda-feira, 29 de abril de 2013

Bate a solidão


Trabalhei arduamente durante aquele dia
Cansei exaustivamente a mente que doía
Precisei relaxadamente eliminar o que me afligia
Liguei esperançosamente para ti que me atendia

Foi em teus braços que percebi os sentimentos
Foi em teus lábios que degustei os mementos
Foi em teus afagos que descobri os atrevimentos
Foi em tua companhia que entendi os relacionamentos

Chego em casa e reconheço que tudo foi projeção mental
Nada disso aconteceu mesmo, sou ainda um ser carnal
Pois a felicidade vem em doses, fazendo-me espiritual
"Encontrar alguém" - diz a música é esperança real 

Então leio livros porque me fazem criar mundos 
Então assisto filmes porque observo as direções
Então surfo na rede porque sou agente de consumos
Então sonho sonhos porque sou ser de emoções

O mundo é um grande palco no qual a vida acontece
Cada um de nós é ator expressando o que compete
O Soberano é o diretor consertando o que aborrece
Em suas mãos, somos o enfeite da cena, um confete

Tomo banho. Não é por causa da higiene, é para lavar a alma
A água cai e alivia a dor, fazendo-me sereno e o corpo acalma
Deito na cama e procuro desligar-me. Sou acariciado pela coberta
Só a insônia é minha companheira. Muitas vezes, vem e me desperta

Acordo para enfrentar a realiade da vida 
Durmo para recuperar a energia da lida 
Amo para saciar-me pela emoção querida
Isolo-me para esconder a decepção sentida

Essência da Caminhada



Minha maior dificuldade é entender o caminho da felicidade
Sou paciente, confiável e amoroso. Mas já avançado na idade
Não para desfrutar o sentimento caloroso da real cumplicidade
Pois minha grande facilidade é ser carinhoso e falar com docilidade

Há coisas que me impressionam na vida, tais como o mistério do olhar
Algumas causam-me surpresas! Sim, por isso passo sempre a observar
Alguém passa por mim e diz com os olhos. Tudo fica pairando no ar
Chegamos às saudações amigáveis e avançando para ato de abraçar

No primeiro encontro não houve beijo – seria desrespeito ao futuro
Só um jantar em restaurante chinês – foi um compromisso seguro
No entanto, não consigo lembrar a imagem do passado escuro
É que o “ficar bem” só funciona para os que não passaram pelo luto

Então cada caminhada possuiu uma essência: a da superação
Precisei vencer a ilusão da prosperidade – pura enganação
No lugar dela só a da compaixão funcionou como realização
Tentei buscar a alegria no encontro de nova e singela relação

Após longo amadurecimento, veio a decepção destruidora
Fim da prova de relacionamento, uma frustração avassaladora
Fiz uma prece de agradecimento, fortuita oração abrasadora
Veio à mente o acontecimento do Pai Abrão como fé cuidadora

Decidi trilhar o caminho da esperança, refiz o planejamento
Vou praticar a descoberta do meu trajeto, o do autoconhecimento
Cuidarei das áreas da minha alma para novo relacionamento
Infelizmente não será no Brasil, porque viverei no distanciamento

Não preciso mais saber caminhar. Preciso perceber os sentidos
Não preciso mais me preocupar. Preciso resolver os mal entendidos
Não preciso mais me angustiar. Preciso conhecer pessoas do bem
Não preciso mais me desesperar. Preciso querer ter outro alguém

Aceitei uma candidatura recente, fez-me muito bem mesmo
Que pena! Nem deixou-me mostrar e apaixonar-se. Fiquei a esmo
Apostei em dois almoços. Foi pouco, eu sei. Nem sequer um beijo
A distância “distanciou-nos”. O encontro ficou no prato sem queijo

Estou tentando! A esperança da caminha é, de fato, essência
Hei do “alter” encontrar, sim, porque curto o dogma da imanência
Sinto que aqui não é meu lugar. Vou recuperar o rumo da coerência
Vou me cuidar, porque nesta caminhada você ficou na desistência! 

sábado, 20 de abril de 2013

Aula 2: Imagens (Figuras)



Olá, seja bem vindo(a) à nossa segunda aula sobre como escrever poesia!


Na aula anterior, falei sobre "Descrição" como uma das técnicas para escrever poesia, bem como também sobre o uso de dois recursos para que ela ocorra: a observação e a abstração.  

Na aula de hoje, os nossos objetivos são:

- conhecer sobre o processo de construção de sentidos a partir dos percursos figurativos em enunciados

- elaborar poemas com descrição figurativa de sentido 

Quanto ao nível das habilidades, no final da aula, você deverá ser capaz de:

- elaborar percursos figurativos com coesão e coerência
- associar observação e abstração na elaboração de percursos figurativos. 

E para o nível das competências, você deverá ser capaz de:

- dominar os recursos ensinados
- descrever situações diversas por meio de figuras
- contrastar um percurso figurativo com outro percurso já elaborado 

Vamos então à aula. 

Introdução: Procurando o sentido dos enunciados

Os enunciados são feitos sem obedecer uma regra própria de construção. É o falante, segundo suas intenções (objetivas e subjetivas), quem determina o funcionamento do  enunciado. Por exemplo: 

Então o menino chegou na oficina com sua bicicleta quebrada. Logo, o senhor pegou as ferramentas e pôs-se a consertá-la. Em poucos minutos, o menino ajuntou-se aos demais ciclistas. 

Neste enunciado fica claro que a produção de sentido é bem objetiva: o falante (narrador) diz exatamente o que vê à sua frente, é como se um filme estivesse passando em sua mente. Se você reler novamente o enunciado, verá que há um número muito grande de vocábulos capaz de gerar em sua mente uma imagem (figura). Como há rápido entendimento, o sentido, a compreensão do enunciado,, fica clara. 

Na verdade, o que acontece é que quando temos a intenção de falar sobre "algo", precisamos antemão saber se o assunto (tema). No caso do enunciado, ele é totalmente figurativo. Vejamos illustrativamente: 

(1) Percurso do menino e a bicicleta quebrada

Nessa figura, aparece um menino machucado e uma bicicleta quebrada. Devido ao problema com a bicicleta, foi preciso levá-la até a oficina para consertos. 

O fato é que menino, bicleta e oficina completam a ideia do enunciado feito. 

(2) Percurso do conserto da bicicleta 


 Ja nessa outra imagem, aparece rodas de biciletas, um homem arrumando as rodas e, mais precisamente, um ambiente-cenário que rapidamente nos dá a ideia de oficina. 

As palavras senhor e ferramentas vão, imediatamente, gerar a noção de conserto.

(3) Percurso da corrida de ciclismo 


Por fim, aqui mostra claramente vários ciclistas em competição, com suas bicicletas. 

Pelo enunciado, as palavras menino e ciclistas vai esclarecer-nos com respeito à competição. 



Sendo assim, quando determinados assuntos são figurativamente elaborados, a noção por imagens é imediata (automática). Até aqui, poderia dizer que quando maior o número de imagens, mais rápido é o entendimento. Todavia, nem sempre é assim. Vale apenas aqui dizer que as figuras ajudam na compreensão dos fatos. 

A coerência nos enunciados figurativos


O mais importante em um enunciado não só o uso dos vocábulos que dão ideia de imagem. Uma criança, por exemplo, que ainda não tem a linguagem totalmente definida pela sequencia sintática e gramatical, poderia elaborar um enunciado assim:  

Mãe carro foi comida.    

Provavelmente a criança queria dizer: 

Minha mãe foi ao supermercado com o carro para trazer comida para mim.  

Mas é certo que em ambas as frases o nível de coerência (lógica) é o mesmo, pois os termos mãe, carro e comida completam o sentido. 

Em enunciados figurativos o mais importante é manter a coerência! 
Veja esse exemplo: 

Busca-se no lago os meninos do rio afogados na cachoeira.

Obviamente não há como chegar a uma conclusão certa porque confunde-se os vocábulos lago, rio e cachoeira

O que isso tudo tem a ver com poesia? Muita coisa: 
(a) na poesia, é preciso saber como o leitor irá construir cenários (imagens)
(b) na poesia, é preciso induzir o leitor a tirar conclusões próprias, para isso ele precisa "entender" o texto.
(c) na poesia, é preciso sintetizar os enunciados com sentido 

Vamos a um exemplo. Leia o texto a seguir: 

“Um asno, vítima da fome e da sede, depois de longa caminhada, encontrou um campo de viçoso feno ao lado do qual corria um regato de límpidas águas...”
(Fábula de Buridam, filósofo da Idade Média)

Agora, veja os substantivos concretos: 

asno, campo, feno, regato, águas, 

A identificação dos substantivos concretos permite a elaboração de várias perspectivas. Por exemplo: 

Um asno, campeão de vários concursos, tem para si próprio, um campo amplo para relaxar. Nele há várias seções de plantação de feno, próximas a um regato cujas águas são eternametne frescas para saciar a sede. 

Veja a boa definição de um texto figurativo: 


Texto figurativo 
Um texto figurativo é do tipo narrativo, com predominância de termos concretos, ou seja, substantivos concretos. Com esses elementos cria um efeito de realidade, caracterizando uma imagem de mundo, onde são analisadas relações humanas e acontecimentos. No entanto, isso não representa que o texto figurativo não tenha tema, pelo contrario, o texto narrativo sempre apresenta, em suas estruturas profundas, um tema.
A função do texto figurativo é representativa, e para tal, ele usa palavras predominantemente concretas, onde os temas são encobertos pela camada figurativa. Os tempos verbais mais utilizados são: presente, imperfeito e futuro.
Quando dizemos que um texto é figurativo ou temático, na verdade o que queremos dizer é que é predominantemente e não exclusivamente figurativo ou temático, pois em um texto figurativo podem aparecer temas e vice e versa.
Para facilitar o entendimento do leitor em classificar um texto, ele pode chamar de figuras os elementos concretos que encontrar e de temas os elementos abstratos. Embora, o leitor, diante de um texto não deva se deter apenas a termos concretos ou não, e sim, procurar o significado mais amplo possível da leitura, o que mostrará sua competência linguística.


Veja este poema que escrevi: Chicago. Tente analisar os termos (vocábulos) concretos a ponto de ir construindo o passeio que fiz lá.

Após a leitura, veja só a síntese que reelaborei aqui: 

Chicago 

Passeio de barco
Caminhada no Navy
Roda gigante
Ferida

Passeio no Feijão

Pessoas no calçadão 
Chafariz
Roupa molhada

Passeio no lago
Celular na mão
Barzinho na esquina
Reunião festiva

Passeio no shopping
Emprego
Casamento
Cidadão

Só com substantivos "concretos".... 

O processo inverso também é possível. Veja esta situação em que me peguei: 

Assistindo o filme "Náufrago" na TV, deitado no sofá com algumas almofadas e um cachorro de pelúcia. 

Agora acesse o seguinte poema e veja o resultado: Wilson

.....

Vamos às atividades...

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ATIVIDADES

Descrição e observação

1) Vá até o shopping center de sua cidade (ou praça) e observe variadas cenas: praça de alimentação, por exemplo. Liste 5 grupos com 4 palavras cada grupo. Por exemplo: 

Praça de alimentação

Grupo 1         Grupo 2             Grupo 3            Grupo 4 
Pratos            Bolsas               Crianças           Fast Food
Talheres        Vestuários         Jovens              Lanchonetes
Copos            Celular               Solteiros           Choperia
Mesas            Lap tops            Casados           Restaurantes

Depois, use sua criatividade para compor o poema. Assim:

A primeira visão que tive veio pelo barulho dos pratos
Pior ainda foi quando os talheres se juntaram em atos
Logo, vi todos gesticularem seus copos como aplausos
E nas mesas, grupos e casais divertiam-se incautos

Se quiser, pode usar os outros grupos aqui que selecionei. Lembre-se que as palavras precisam ser "concretas", ou melhor, "figurativas".

2) Mesmo que você tenha carro próprio, sugiro que adentre a um transporte público (coletivo ou train ou metro) e faça o mesmo tipo de observação: selecionar grupos de palavras e depois escrever um poema, descrevendo exatamente a cena observada.

Há outros lugares que você pode também fazer esse tipo de exercício. Seja criativo e tenha liberdade de fazê-lo, mas faça.

3) Faça o processo inverso, ou seja, pegue um poema seu ou de algum autor (aqui no meu blog, há vários que você pode acessar). Leia-o atentamente e veja se o texto é marcadamente figurativo. Depois, sintetize-o com substantivos concretos apenas, mas mantenha o nível de coerência (lógica).

Descrição e abstração

1) Vá no "google imagens" e digite um substantivo (carro, parque, pássaro, flores, etc). Use sua imaginação para escolher figura que mais lhe agrada . Você deverá fazer associações de ideias. Por exemplo:

Pássaro = voar, liberdade, solidão, altura, visão, céus, imensidão, etc. 

A partir disso, escreva um poema com as abstrações feitas a partir da associações de idéias das imagens. Quando escrevi os pensamentos sobre a Teologia da Cruz, a ideia primeira que tive foi selecionar as diferentes figuras da cruz (Não é um poema, mas a ideia foi por meio de abstração). Faça esse exercício, tenho certeza que você irá tornar-se mais criativo e muito "crítico", cognitivamente falando. 

2) Assista um filme que você goste. Identifique algum tema no filme (amor, paixão, alegria, felicidade, fidelidade, etc). Descreva em estrofes o tema (que pode ser o título) por meio das imagens (cenas) que o filme foi elaborado. Esse exercício é excelente para fazer com que você saiba sintetizar o significado por meio de imagens. 

3) Ouça e veja esse vídeoclip de um grupo infantil que não existe mais, mas que fez sucesso muito grande na década de 90, do século passado. É o Trem da Alegria com a música Uni Duni Te. Você terá que acompanhar aqui o vídeo com a letra. É só observar. 


Uni Duni Tê
Trem da Alegria


Eu quis saber da minha estrela-guia
Onde andaria meu sonho encantado
Fada-madrinha, vara de condão
Esse meu coração sonhando acordado

Vai nos levar para um mundo de magia
Onde a fantasia vai entrar na dança
E quando o brilho do amor chegar
Eu quero é mais brincar, melhor é ser criança

Uni duni duni tê, ô ô ô ô
Salamê minguê, ô ô ô ô
Sorvete colorê
Sonho encantado onde está você?

A carruagem vai seguir viagem
E o Trem da Alegria vai pedir passagem
Na direção do amor que eu preciso
Do meu paraíso, doce paisagem

Vai nos levar para um mundo de magia
Onde a fantasia vai entrar na dança
E quando o brilho do amor chegar
Eu quero é mais brincar, eu quero ser criança

Uni duni duni tê, ô ô ô ô
Salamê minguê, ô ô ô ô
Sorvete colorê
Sonho encantado onde está você?


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Agora você terá que ver e ouvir mais um videoclip. Dessa vez é do conjunto Roupa Nova. É a música "Linda demais" (um poema!). A letra está logo abaixo do vídeo para você acompanhar 



Linda!
Só você me fascina
Te desejo muito além do prazer
Vista meu futuro em teu corpo
E me ama como eu amo você...

Vem!
Fazer diferente
O que mais ninguém faz
Faz parte de mim
Me inventa outra vez
Vem!
Conquistar meu mundo
Dividir o que é seu
Mil beijos de amor
Em muitos lençóis
Só eu e você...

Linda!
Conte a mim teu segredo
Pro meu sonho
Diga quem é você
Livre!
Nunca mais tenha medo
Pois quem ama
Tudo pode vencer...

Vem!
Fazer diferente
O que mais ninguém faz
Faz parte de mim
Me inventa outra vez...
Vem!
Conquistar meu mundo
Dividir o que é seu
Mil beijos de amor
Em muitos lençóis
Só eu e você...

Oh! Oh! Oh! Linda!

Vem!
Fazer diferente
O que mais ninguém faz
Faz parte de mim
Me inventa outra vez
Vem!
Conquistar meu mundo
Dividir o que é seu
Mil beijos de amor
Em muitos lençóis
Só eu e você...

Eh! Eh! Linda!
Só você me fascina
Te desejo muito além do prazer
Oh! Oh! Oh!
Vista!
Meu futuro em teu corpo
E me ama como eu amo você...
Você
Oh! Oh! Oh! Linda!


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Agora você terá que comparar os dois e identificar o processo de construção de sentido. É claro que o texto da música Trem da Alegria é mais figurativo, mas na compração, você verá que a abstração acontece nos dois. É apenas um exercício de comparação e abstração. 

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Bom, vamos ficar por aqui. Até a 3a aula que será sobre "Tema".

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Atraso na viagem



Hoje sonhei que era essência, pura imanência e transcendência
Energia depurada da florescência de minha consciência e crescência
Lá no Norte, as quatro querências, rejeitaram minha docência e sapiência
E no Sul, as quatro decências, aperfeiçoaram-me nas saliências da sobrevivência

Lembrei-me do que disseste para mim: "convido-te para ficar comigo"
Calei-me porque me fizeste um eu sem fim: saúdo-te por estar contigo
Apeguei-me no que me deste como esperança, sim: fortaleço-te por ser abrigo
Acheguei-me sempre no teste bem assim: faço-me totalmente por teu amigo

Por isso sai de lá, doze horas de voo, um sufoco, quase corro
Para vir cá, esperar com enjoo, estômago oco, quase morro
Guardando na memória o som de teus lábios com o convite feito
Fiz tudo o que prometi, fiel fui, anel usei. Agora me aborreci. Que feio!

Parei de sofrer! O norte não será paradeiro. O sul só para aventureiro
Eu sei vencer. A sorte é como pandeiro. Bate-se para dar ritmo primeiro
Você brincou prá valer. A morte é como picadeiro. Serei um romeiro
Você só soube correr. O corte foi ligeiro. Nada apagou por inteiro

Cheguei à capital do Estado, águas torrenciais davam sinais da minha decepção
No Afonso Pena, sem sinal e um caos, nada adiantava dar-te minha real situação
Finalmente, anunciaram rotas alternativas, débeis medidas, para ludibriar meu coração
Ir à Prudente não foi escolha. Foi placebo da companhia para enganar a razão

Queria te ver. Não fui eu que não te esperei. Foi o voo atrasado
Queria te comunicar. Não fui eu que não te liguei. Foi o celular roubado
Queria te encontrar. Não fui eu que não te anunciei. Foi o táxi quebrado
Queria te abraçar. Não fui eu que não te cortejei. Foi o endereço trocado

Então não tenho desculpas, tenho apenas a verdade. É mesmo realidade!
É que agora sofro agruras, de penas e crueldade. É tensa a novidade!
Sua impaciência lisura a cena da minha saudade. É morte à felicidade!
Sou obrigado a viver a clausura da séria maldade. É castigo e penalidade!

Que desperdício! Que papelão! Não mereço isso, não!
Brincar assim é malefício. Levei prejuízo, ó estrupício
O caminho de volta só na ficção. Chance escapou da mão
Sua decisão foi como ofício. Vou cumprir, mas é difícil!

quarta-feira, 17 de abril de 2013

De "storge" para "phileo"



Amizade não é algo que você precisa defender e nem ir à conquista
Ela acontece nos caminhos da vida e do querer, sem estar à vista
As pessoas se ligam porque querem viver, um bem cristão de ser altruísta
Pena que há outros que a põe a perder, têm o desejar egoísta

Foi isso que aconteceu hoje: ciúmes de mim. Ou porque não sabem ser amigos?
Vejo que as perdas aqui não têm fim. Essa prática é o anúncio sobre os perigos
Amizade não acaba desse jeito assim: "teus colegas não gostam... e eu digo"
Darei gargalhadas, ganharei sim-sim. Incompetência estará contigo, eu bendigo!

Vou falar de duas pessoas. Uma quer me dominar e me proíbe ter novos amigos
Fica perturbando-me com diálogos possessivos. Julga-me por ser dos latinos
Mal ela sabe que ser humano é demais relacional e não quer ser ferido
Logo, logo, vai ouvir certas verdades e a colocará em funesto perigo

Passou a sega. Na verdade, continuou na atitude cega - puleiro de quem faz m...
Continue assim, ó ignorante de adega. Veste carapuça de santo, e não honra a c...
Só vem fazendo o trabalho de gente brega. Um dia vai se revelar: ficará velha
Em teu leito de morte, só haverá uma "bela": a morte, cuja alma te terá na certa

Nem vou continuar... é perda de tempo... não há o que falar
Aqui só lamentar... é viver de contrasenso... não há o que argumentar
Vá, ó pérfido, chorar... é falir-se em argumento... não há o que considerar
Eu já venci, vou festejar... é ganhar em desprendimento... não há nada a declarar

A segunda é o que de fato aprendi a conquistar e a gostar. Na verdade, amar
Tem muitas neuras por falta de conhecimento. Só vive no mundo do pesar
Falta-lhe um pouco de ousadia, atrevimento, diria. Passos para saber avançar
Essa pessoa é fruto de vários diálogos de persuasão. Questionamentos pude explicar

Quando se conhece alguém, há necessidade de preservar a comunhão
Porque, na dimensão das relações, sempre há porvir consideração
“Ninguém sabe o dia de amanhã” – já diz o ditado como adivinhação
Da minha parte, terá sempre o respeito e a simpatia vindos do coração

Conhecer-te foi um tipo de amor não vivido, mas confesso que adorei ser sentido
Química é a troca das substâncias pelo sentir, tocar e falar. Por isso não fiquei perdido
Mas as intromissões, as de terceiros, fizeram-nos calar porque é poder atrevido
Hoje, distancio-me para não te machucar: família ainda é para ti um ardor querido

Então encontrei na morfologia a explicação para minha situação
A princípio, fiz todo o ritual da convenção: os passos da apresentação
“Storgē” é o carinho pelos membros de uma família: os graus da relação
“Phileo” refere-se à ligação da amizade. A diferença é que pode haver forte afeição

Não tenho dúvidas. Tenho certeza e prefiro curtir a transição de um para o outro. 

Lágrimas


Há dias que anseio derramar minhas densas lágrimas
E, ao descer pela face, marcar-me-iam como fio de esgrimas
Não é flagelação, mas alívio da tensão de baixa autoestima
Não tenho abraço, nem ombro para isso; nem há rima

Tentei adormecer para descansar a mente morta
Acordei na noite angustiado, nem vi a fechada porta
A visão embaçada deu-me a interpretação torta
Eu havia partido para sempre, gelada aorta

O único movimento era da minha transcendente essência
Já desabitara a matéria da realidade para ser só consciência
Nova dimensão haveria de conquistar, a de eterna vivência
Deixaria de ser corpo para virar substância de etérea ausência

Não há doutrina contra a teologia do vindouro acontecimento
Pois a fé na esperança do retorno é a antecipação do avivamento
Por isso, o desespero é a passagem para o conforto no lamento
Morrer não é pecado. Pecado é não querer viver. Odeio estarrecimento

Então liberei-me per se. Comecei a vagar pelas utopias
Desejava despedir-me de quem mais amei. “Rua sem vias”
Queria sentir a última noite, abraçado em alguém: só nostalgias
Ansiava proclamar aos frágeis e pequeninos infindáveis alegrias

Foi-me dada a oportunidade da ressuscitação, mas a rejeitei
É que ficaria sofrendo pelas sequelas de abandono de quem amei
Foi-me oferecida a possibilidade de sono temporário, também recusei
É que não veria mais você: seria um vegetal. Então, divaguei

Voei para o Norte porque lá há riqueza em abundância
Você ficou no Sul porque preferiu a fraqueza em consonância
Teus amigos é que te forçam à moleza da magna dissonância
Você me rejeitou pela destreza da medíocre memória e arrogância

Eu sempre retornarei à vida por causa das tuas lembranças
Porque no futuro não haverá espaços de aleijadas andanças
De tempos em tempos morrerei, como “looper” de assassina bonança
Você não viverá como eu viverei, porque desistiu do amor pela dança

Ouço batidas na porta. Não posso abrir. Sou espírito contrito
Chamam por meu nome. Não posso responder. Estou aflito
Arrombaram a porta. Não podem mais me encontrar. Queimado frito
No dia anterior, meu codinome. Poeta para compor. Testamento proscrito.

 Hoje tenho ciência do futuro destino que me resta: céu vai estar
É melhor apenas te alertar quanto ao que busco: “spes et fides” a aguardar
Alma não chora, sente. Então as lágrimas não têm poder de curar
Vou continuar vivendo na ilusão de te alcançar, em espírito quando voltar

Eu nasci em junho, porque tudo na vida se vive pela metade
Embora mais velho, sei que uma das desistências foi pela idade
A outra, mais grave, foi porque o corpo sofreu de doença da sociedade
Eu já parti e não estou mais contigo: resultado de tua pura crueldade

Morrer é viver eternamente na saudade. 

terça-feira, 16 de abril de 2013

Teologia da Cruz

São 20 eslaides sobre o tema teologia da cruz. Aproveitem. 

1. Cruz como metáfora da salvação.



2. Cruz como currículo educacinal da transformação humana.



3. Cruz e teologia da prosperidade.



4.



5. Cruz como doutrina e dogma.



6. Salvação pela cruz: o que podemos vir a ser. 



7. O caminho da cruz. 



8. Cristo crucificado é o mesmo para todos na reconciliação. 



9. Compromisso integral da cruz na salvação da humanidade.



10. A cruz como utopia da redenção.



11. Cruz como metáfora da solidariedade.



12. A cruz é suficiente para suportar o peso de nossos pecados!



13. Cruz e teologia da expiação.



14. Esperança e cruz. 



15. O efeito processual da cruz na transformação de vidas. 



16. Cruz e renovação espiritual.



17. Representações da cruz como fé em Cristo.



18. Popularização da teologia da cruz. 



19. Cruz na liturgia cristã. 



20. Cruz e espiritualidade cristã.